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Página:Historia das invenções.pdf/12

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Monteiro Lobato

ás sete nunca deixavam de apanhar a irradiação de Pittsburgh, que é uma das estações estrangeiras de maior força.

Terminada naquele dia a hora de Pittsburgh, todos se reuniram em redor de dona Benta, ainda com os ouvidos cheios das musicas e falações americanas.

— Comece, vóvó! disse Pedrinho.

E dona Benta começou.

— Este livro não é para crianças, disse ela; mas se eu o ler do meu modo, vocês entenderão tudo. Não tenham receio de me interromperem com perguntas, sempre que houver qualquer coisa obscura. Aqui está o prefacio...

— Que é prefacio? perguntou Emilia.

— São palavras explicativas que certos autores põem no começo do livro para esclarecer os leitores sobre as suas intenções. O prefacio pode ser escrito pelo proprio autor ou por outra pessoa qualquer. Neste prefacio o senhor Van Loon diz que antigamente tudo era muito simples...

— Tudo o que? interrompeu Pedrinho.

— A explicação das coisas do mundo. A Terra formava o centro do Universo. O ceu era uma abobada de cristal azul onde á noite os anjos abriam buraquinhos para espiar. Esses buraquinhos formavam as estrelas. Tudo muito simples.

Mas depois as coisas se complicaram. Um sabio da Polonia, de nome Nicolau Copernico, publicou um livro no qual provava que a terra não era fixa, pois girava em redor do sol, e as estrelas não eram brinquedinhos dos anjos, sim sois imensos, em redor dos quais giravam milhões de terras como a nossa.

Isso veio causar uma grande trapalhada nas ideias assentes, isto é, nas ideias que estavam na cabeça de todo mundo — e por um triz não queimaram vivo a esse homem. Afinal a sua ideia venceu e hoje ninguem pensa de outra maneira.

A astronomia, que é a ciencia que estuda os astros, tomou um grande desenvolvimento. Os astronomos foram des-