tão ele conseguiu dominar completamente o mar. Restava o ar. Dono já da terra e dos mares, o ar ainda não era dominio do homem. Tornava-se preciso conquista-lo.
— Que bichinho insaciavel! observou a menina. Não ha o que o contente...
— Justamente por isso o homem progride sempre. Sua ambição não tem limites. Mais, mais, mais! é o seu lema.
— Que ponto pretenderá atingir?
— Ninguem sabe. O homem avança para a frente movido por uma força misteriosa. Impossivel prever até onde o levará essa corrida louca. Impossivel tambem faze-lo parar. O progresso lembra uma pedra que se despenhou do alto da montanha. Tem velocidade cada vez maior.
— Mas a pedra que desce da montanha tem de parar um dia, observou o menino. Na base das montanhas ha sempre um vale, um abismo...
— Se você cochichar essa advertencia ao ouvido da pedra que rola, nem porisso ela se deterá. Assim tambem com o avanço do progresso. Seja vale, seja abismo o que ha pela frente (e nada podemos saber a esse respeito), sua marcha não pode ser detida por nenhum cochicho.
O ar, por exemplo. Durante milhões de anos o homem olhava para o ceu como algo inacessivel. Era o dominio das aguias. "Mas um dia resolveu voar. "Se as aguias voam, por que não hei de voȧr tambem, eu que sou mais inteligente que as aguias ?"
A vida das aves fazia inveja ao homem. Não se arrastam pelo chão em movimentos de lagarta, como nós. São donas dessa maravilhosa estrada de rodagem sem poeira, sem buracos, sem lameiros que se chama "camada atmosferica". E como podem com a maior facilidade transportar-se dum ponto para outro, estão livres dos horrores do extremo frio e do extremo calor. Se o inverno chega, emigram para as terras quentes; se o verão está muito forte, voam para as terras temperadas.