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Página:Historia das invenções.pdf/157

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Historia das Invenções
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— Se querem criar uma rainha nova, limitam-se a modificar a alimentação duma larva qualquer. As abelhas sabem que o animal se faz pela boca. O homem tambem sabe disso, mas só o aplica aos animais que cria — aos cavalos, aos bois, ás aves domesticas. Quando se trata de si proprio, o homem falha lamentavelmente. Porisso, Pedrinho, não esqueça de realizar aquilo que prometeu: inventar o Mel Humano. Essa, sim, vai ser a maior das invenções.

— Fique descansada, vóvó, declarou o menino convencidamente. Juro que hei de resolver esse problema.

— E eu? perguntou Narizinho. Que hei de inventar?

— Invente uma maquina de costurar que não precise de linha nem de agulha, disse dona Benta, lembrando-se da tragedia que lhe era enfiar a agulha e da luta para achar o carretel. Com a nova mania de Pedrinho, de empinar papagaios, não havia carretel de linha que parasse na maquina de dona Benta.

— Pois eu hei de inventar coisa muito melhor que o Mel Humano, que o radio, que tudo! gritou Emilia.

Todos ficaram atentos, á espera da asneirinha.

— Vou inventar a maquina de fazer invenções. Bota-se a ideia dentro, vira-se a manivela e pronto — tem-se a invenção que se quer.

Quindim, que estava espiando pela janela, fez quó, quó, quó...

 

Campos do Jordão, setembro, 1935.