— Impossivel responder, minha filha. Assim como no (animal homem) surgiu essa inteligencia que lhe deu o dominio da terra, pode surgir outra forma de inteligencia, mais apurada, em outro qualquer ser, numa planta, num peixe, numa formiga, num microbio — e o homem terá de entregar o cetro de Rei dos Animais, desaparecendo da superficie da Terra como tantos outros reis já desapareceram.
— Mas como o homem tomou conta da Terra?
— E՚ o que Van Loon procura explicar nesse capitulo. Logo que a crosta se resfriou a ponto de permitir a Vida, a Terra se foi povoando rapidamente duma infinidade de plantas, de animais cascudos e de seres que viviam no seio das aguas. Se eu fosse Van Loon contava a coisa de outra maneira, porque estou convencida de que a Planta é tudo, e que todos os animais não passam de parasitas, ou pragas da planta.
— A senhora já disse isso na Geografia, lembrou Pedrinho.
— Pois é. Veio a Planta, numa infinidade de especies vegetais de todos os tamanhos e tipos; e a abundancia de vegetais trouxe consigo a abundancia de animais, isto é, de parasitas da planta.
Desses animais muitos nunca deixaram as aguas e foram os antepassados dos peixes que existem hoje — esses que o homem pesca, salga e enlata, para empregá-los na alimentação.
Outros, os antepassados dos lagartos e das cobras que existem hoje, ocuparam tais extensões da Terra (como sabemos pelos fosseis encontrados) que com certeza foram os reis da criação em seu tempo. Algum lagartão de tamanho descomunal havia de rir-se dos outros seres, como nós hoje nos rimos de todos, e havia de chamar-se a si mesmo Rei dos Animais. Isso porque durante milhões de anos o clima da Terra, as chuvas torrenciais e a excessiva umidade do ar favoreciam o desenvolvimento desse tipo de vida. Nós somos um tipo de vida. A planta é um tipo de vida. O microbio