— Não. Todos os animais possuem uma certa capacidade inventiva. As aves, por exemplo, inventaram os ninhos, alguns bastante engenhosos. As aranhas inventaram um variado sistema de teias para apanhar insetos. As abelhas e as formigas inventaram inumeras coisas para resolver seus problemazinhos de alimentação e moradia. Os castores se tornaram verdadeiros arquitetos. Mas esses animais, depois de inventarem uma certa coisa boa para eles, paravam. O homem não. O homem nunca parou de inventar, mais, mais, mais, sempre mais, e desse modo foi desenvolvendo a sua capacidade inventiva até distanciar-se infinitamente de todos os outros seres que habitam a Terra.
Os ninhos, as teias de aranha, as construções dos castores, por exemplo, são sempre os mesmos. Eram ha dois mil anos o mesmo que são hoje e daqui a mais dois mil anos serão ainda o mesmo. Já o homem está mudando sempre, inventando sempre, aperfeiçoando sempre. As casas de ha 2000 anos eram muito diversas das de hoje, e as do ano 3000 vão ser muito diferentes das de agora.
Os outros animais só inventaram para dois fins: garantir a alimentação e a morada. Conseguindo isso, pararam. Parece que o espirito inventivo deles adormeceu. O homem, não. Quanto mais inventa, mais quer inventar e mais inventa. Nunca parou, nem nunca parará. E a coisa vai com tamanha velocidade, que é impossivel prever o que seremos daqui a alguns milhares de anos.
— Pois até bonecas pensantes, falantes e asneirantes nós já inventamos, murmurou Narizinho com os olhos na Emilia.
Dona Benta riu-se e prosseguiu:
— A raça humana começou com uma enorme vantagem. A vida dos homens primitivos sobre as arvores, com a agilidade e alerteza que eles precisavam ter, deu-lhes uma forte superioridade sobre os seres que viviam no chão. Tinham de usar muito mais o cerebro do que os quadrupedes de