Mas a pele dos animais não bastava para vestir tantos homens que já havia, alem de que em muitos pontos as peles rareavam. Foi necessario descobrir substitutos. No Egito, e naquela Mesopotamia famosa, os homens tanto experimentaram fazer tecidos desta ou daquela fibra de planta, que por fim descobriram o linho. Chama-se linho a fibra duma planta classificada pelos botanicos de Linum usitatissimum. A gente de lá não tinha de defender o corpo contra o frio, mas sim contra o calor, pois são regiões quentissimas. O linho resolveu o problema. Veste o corpo com toda a macieza e afasta o calor. Mas o que estou contando em meia duzia de palavras, quantos anos não levou para ser realizado? Quantos milhares de anos não levou o homem a usar peles enquanto não achava substitutos?
— Eu calculo em 2500 anos, sugeriu Emilia.
— Não seja boba, disse Narizinho. Continue vóvó.
— Logo que um invento desses era feito, espalhava-se por toda parte, de modo que a aplicação do invento se ia generalizando. Os chineses descobriram que com o fio do casulo duma lagarta tambem era possivel fazer tecidos — e apareceu a seda e a criação do bicho da seda. O homem ficou com o linho e a seda. O algodão tambem já era conhecido...
— Onde surgiu o algodão?
— Um antiquissimo historiador grego, Herodoto, fala que veio da India, mas não temos meios de saber com certeza. E՚ antiquissimo, embora só modernamente sua cultura tomasse a grande extensão que tomou. Hoje a base do vestuario humano é o algodão. Mais que a lã, mais que a seda, que o linho, que tudo.
Os povos naqueles tempos eram vitimados por calamidades constantes. Cada inverno rigoroso dava lugar a hecatombes, sobretudo de crianças. O problema do vestuario ainda não estava bem resolvido. Só seria bem resolvido com a lã — e a lã apareceu. Os homens tiveram a esperteza de domesticar um animalzinho que os romanos chamavam ovis