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Página:Historia das invenções.pdf/42

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Monteiro Lobato

— Depois da casa singular, isto é, duma casa para cada familia, apareceram em Roma os casas coletivas. Era nelas que viviam os escravos. Aqui tambem tivemos as celebres senzalas, e hoje temos casas de pensão, hoteis, quarteis, conventos, internatos, isto é, grandes casas onde moram numerosas pessoas. Mas as pessoas que moram desse jeito estão sempre pensando em morar na sua casinha isolada. Se vivem assim é por economia ou outra qualquer razão — não por querer.

— As casas dos operarios nas grandes cidades tambem não têm grande intimidade, vóvó, lembrou Pedrinho que havia visto em New York e Londres os chamados "tenements", ou casas de apartamento dos pobres.

— Sim. Entre os males que a excessiva aglomeração de gente em certos bairros trouxe, veio tambem esse. Mas está no fim. A tendencia moderna é para acabar com as tristes habitações coletivas em que os pobres vivem. Em certos paises o operario já possue casas de um conforto e intimidade que até aqui eram privilegio exclusivo dos ricos. Um dia no mundo inteiro será assim. Esperemos.

Foi essa vida horrivel nas sordidas gaiolas das grandes cidades que criou a emigração, ou a fuga dos homens pobres para outras terras menos povoadas, onde lhes fosse possivel ter a sua casinha propria. Quem emigra, quem sai para trabalhar em outras terras, é porque não encontra na sua condições de vida agradaveis. Foi graças á má vida do pobre na Europa que a America se povoou — e que tambem se vão povoando a Australia e tantas outras terras chamadas coloniais.

Mas a invenção da casa não resolvia todos os problemas. Nos paises em que no inverno a neve cobre tudo com o seu manto de gelo, mesmo dentro de casa o homem arcava com os horrores do frio. O remedio era acender fogo. O fogo aquece o ar, o que é agradavel; esse prazer fez que se fossem aperfeiçoando os meios de aquecer o ar dentro das casas. Inventou-se o fogão para substituir as fogueiras primitivas