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Página:Historia das invenções.pdf/44

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Monteiro Lobato

começo á triste e fria Idade Media, em que era moda desprezar o corpo, como se não fossemos corpo. A arte do aquecimento desapareceu, isto é, voltou para trás. Resumiu-se á fogueira dentro de casa. Os pobres medievais, coitados, viviam entanguidos. E mesmo depois, já quasi nos tempos modernos, o frio muito martirizou a humanidade.

Aquele celebre rei de França, que os basbaques chamaram Rei-Sol, morava num palacio enorme, impossivel de aquecer-se com as simples lareiras ou fogões então usados. Muitas vezes a comida se congelou na mesa real. Vinha daí o seu habito de não tomar banho. Como tomar banho, sobretudo no inverno, tempo em que a agua se congelava nas torneiras?

O fogão, ou lareira com chaminé, se generalizou. Parece tão simples uma chaminé, não acham? Pois demorou a vir. No começo havia apenas um buraco no teto para dar saida á fumaça. A ideia de construir um tubo que levasse a fumaça do fogão ao telhado custou a aparecer.

Unicamente no fim do seculo passado os homens retomaram a arte do aquecimento do ar, inventada pelos gregos e romanos. Voltaram os radiadores, aquecidos a agua quente ou vapor. Nas grandes cidades em que ha invernos fortes o aquecimento é hoje obrigatorio. Quem faz uma casa tem que construir a aparelhagem de aquecer o ar. Nas grandes casas de apartamentos, assim que chega a data oficial do começo do inverno as fornalhas se acendem nos porões para um fogo que só se apagará na data oficial do fim do inverno.

— E os aquecedores eletricos?

— Esses são o ideal. O aquecimento a vapor ou quente exige dispendiosas instalações de fornalhas nos porões, e canalização, e uma trabalheira para manter o fogo sempre aceso. Com o aquecimento eletrico, nada disso. Basta um aparelhinho radiador em cada comodo. Liga-se o fio á tomada eletrica e pronto. Aquilo fica incandescente, inundando o comodo dum agradabilissimo calor.