jeitadamente o papel de mãos. Repare o gatinho. Quando pega qualquer coisa, pega com os dentes, procurando auxiliar-se com as patas dianteiras. Infelizmente para ele essas patas dianteiras não possuem os dedos que temos em nossas mãos; e o auxilio que prestam ao gatinho é bem pequeno. A grande coisa que aconteceu com a mão do homem foi o encompridamento dos dedos e a colocação do polegar em oposição aos outros quatro. Ficou assim transformada num maravilhoso instrumento de agarrar. A torquês ou o alicate é uma mãozinha de ferro com dois dedos apenas, um oposto ao outro; se esses dedos estivessem um ao lado do outro, de nada valeriam. O importante é estarem em posição oposta pois que isso permite agarrar.
Com a disposição oposta do polegar, a mão do homem tornou-se prodigiosamente habil para fazer mil coisas impossiveis aos animais, cujas patas dianteiras têm os dedos semelhantes aos dos pés. O dedo polegar! O mata-piolho! Eis o grande progresso. Se reduzirmos nossas mãos a dois dedos apenas, sendo um o polegar, ainda podemos fazer mil coisas; mas se cortarmos o polegar deixando os outros qua- tro, babau! Não podemos fazer quasi nada com eles.
Os animais utilizam-se das patas dianteiras para cavar buracos e ajudar os dentes no agarramento das coisas — exceto os simios, que, como estão mais proximos de nós, já têm mãos que são verdadeiras mãos. De modo que a mão do homem significa o mais importante instrumento natural que ele adquiriu — e ao qual se devem todas as maravilhas que vemos hoje no mundo.
Mas a mão sozinha, embora valesse muito, servindo para agarrar, despedaçar a caça, colher frutas, etc., não fez grande coisa até o dia em que o primeiro peludo teve a ideia de aumentar o poder dela por meio dum pedaço de pau ou pedra.
— Mas isso é tão simples, vóvó! Essa lembrança, se eu fosse peludo, me acudiria imediatamente, observou Pedrinho.