— A mesma coisa. Juntamos as duas mãos em cuia e pronto — podemos tirar uma mãozada que vale meio litro.
— Perfeitamente. A ideia da vasilha de guardar coisas solidas ou liquidas veio desse emprego das mãos em forma de cuia, ou dessas mãozadas, como diz Pedrinho. O homem começou tirando coisas com a mão e guardando-as na mão. Mas esse guardar era temporario, porque a mão não podia ficar parada toda a vida com as coisas dentro. Veio então a ideia de fazer mãos artificiais em forma de cuia — e surgiram todas as vasilhas de guardar coisas — pratos, bacias, peneiras, gamelas, panelas; e depois, caixas, gavetas, malas, canastras, armarios, etc. Estamos de tal modo acostumados ás vasilhas que não lhes prestamos a menor atenção, embora sem elas fosse impossivel vivermos neste mundo. Ha necessidade de guardar coisas para o dia de amanhã, e onde guardar senão em vasilhas? Imaginem uma casa sem vasilhas. Não poderiamos tirar o leite das vacas, por não termos onde pô-lo. Não podiamos ter agua de beber ou de lavagem, pela mesma razão. Não podiamos nada. Só o vasilhame, cuja variedade não tem fim, é que torna possivel a nossa vida. Não ha povo selvagem, por mais primitivo que seja, que não use vasilhas. Ora, a vasilha não passa da evolução da mão em forma de cuia...
— Está aí uma coisa que eu nunca seria capaz de imaginar, observou Narizinho, olhando para suas mãos postas em forma de cuia.
— Nem é capaz de imaginar qual foi a primeira vasilha que o homem usou...
— ?
— Foi o cranio dos mortos.
— Que horror, vóvó! exclamou a menina fazendo cara de nojo. Como isso?
— Muito simplesmente. Durante milhares de anos os mortos eram deixados sobre a superficie da terra, como sucede com os animais. Sendo o habito de enterrar os mortos relativamente recente, a abundancia de esqueletos espalhados