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Página:Historia das invenções.pdf/76

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Monteiro Lobato

Mas sempre que aparecia uma invenção nova surgia tambem um novo meio de defesa. Você lança flechas, não é? Pois vou armar-me de um escudo. E՚ como hoje a luta entre o canhão e a couraça dos navios. Quanto mais cresce o poder ofensivo dos canhões, mais cresce o poder defensivo das couraças.

Por muitos milhares de anos o unico meio que o homem tinha de arremessar coisas contra o inimigo foi a multiplicação da força dos seus musculos. Com o arco ele somava a força dos musculos com a elasticidade da madeira e lançava uma flecha a 200 metros de distancia, coisa impossivel com os musculos apenas. Mas era pouco. Tornava-se necessario inventar uma força maior que a elasticidade da madeira. E essa invenção veio e revolucionou o mundo: a polvora.

Os chineses, e depois um frade alemão de nome Schwartz, ou quem quer que seja, observou que a mistura do enxofre, do carvão moido e do salitre tinha a propriedade de explodir com grande violencia. Quer dizer que quando se punha fogo a essa mistura ocorria uma reação quimica que a transformava subitamente em gás.

— Como?

— Sim. De substancia solida que é, a mistura passa subitamente á forma de gás. A rapidez dessa passagem dum estado para outro lança o gás violentamente em todas as direções. Ora, se a gente fechar a explosão num canudo de modo que o gás só possa sair por uma das extremidades, a força dele se canalizará numa certa direção e com enorme violencia. E se pusermos um corpo solido tapando a extremidade do canudo, a força do gás fará que esse corpo seja expulso dali com grande velocidade, para lhe abrir caminho. Esse corpo solido é a bala. De modo que nas armas de fogo o que lança a bala não é mais a elasticidade da madeira, como no arco, e sim a furia do gás que quer fugir de dentro do canudo.

Pronto! O homem havia inventado a arma de maior poder destruidor possivel. Surgiu a espingarda, a carabina,