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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES



amante da duqueza de Portsmouth. A rainha D. Catharina, tal como o retrato a apresenta, sem ser uma formosura, é todavia uma gentil senhora, sobretudo com uma grande expressão de bondade.»

Sem ser uma formosura, diz o texto da noticia, não era comtudo D. Catharina de Bragança, rainha de Inglaterra, uma dama despicienda, segundo o retrato feito por um pintor inglez contemporaneo.

É certo que em torno d'esta illustre dama da casa real portugueza, para quem o throno britannico fôra pouco menos de um calvario, se formára uma lenda de fealdade, que os historiadores inglezes confirmam.

Assim, David Hume, o author da historia dos Stuarts, pinta-nos D. Catharina de Bragança como princeza de uma virtude sem macula, a qual, todavia, não pôde nunca fazer-se amar do rei pelas graças da sua pessoa nem do seu espirito.

Dizia-se, até á apparição do retrato offerecido pelo snr. Mac-Murdo, que Portugal fôra obrigado a dotar a princeza de Bragança com Tanger e Bombaim como compensação dos dois defeitos que Carlos II notava na sua noiva: ser feia e ser catholica.

O que é certo é que o casamento custou a realisar-se, e que Portugal, para vêr no throno inglez a filha de D. João IV, teve que desapossar-se, effectivamente, de Tanger, que não aproveitou muito aos inglezes, e de Bombaim, de que elles vieram a fazer uma das primeiras cidades do mundo.