Página:Historias de Reis e Principes.djvu/241

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O archiduque era apaixonado pela architectura; fôra elle que desenhára o risco da famosa igreja Votiva de Vienna; póde pois calcular-se com que alegre e dedicado enthusiasmo veria ir apparecendo, debaixo do seu crayon, as torres denticuladas do futuro castello de Miramar.

Mais feliz do que a snr.ª Porhoet, do Romance de um rapaz pobre, cuja velhice era alimentada pela phantasia de fazer edificar uma cathedral estupenda, o archiduque vira realisado o seu sonho, e o castello de Miramar fôra nascendo á beira do oceano, avultando, subindo, fazendo lembrar a lenda do rei de Thule e da

... torre herdada que havia
ao rés das marinhas aguas.

Emquanto o castello de Miramar se edificava, o archiduque fôra habitar um chalet que provisoriamente tinha mandado construir no alto da collina, e que para os dois felizes esposos se convertêra n'uma estancia encantada, que a madresilva cingia n'um abraço de verdura e de flôres, e envolvia na atmosphera inebriante de um beijo de perfume. O archiduque gostava immensamente de flôres, de modo que os jardins de Miramar, que vieram a contornar o palacio, pareciam realisar o sonho de um poeta que, como Castel ou Lacroix, vivesse para cantal-as.

Fôra no chalet da collina que o archiduque, mesmo depois de edificado o castello, permanecêra sempre com a archiduqueza; nas salas do castello recebia