Página:Historias de Reis e Principes.djvu/257

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


O melancolico palacio de Chapultepec, que fôra destinado para residencia dos imperadores, contrastava dolorosamente não já com a opulencia, senão tambem com o conforto do castello de Miramar.

E quando os dois esposos coroados quizeram, á volta do theatro, confidenciar as suas doloridas impressões d'aquella primeira noite do imperio, acharam-se isolados n'um velho casarão desguarnecido, que tinha sido residencia dos monarchas astecas e dos vice-reis[1].

Tal era o palacio de Chapultepec, que devia hospedar os fugitivos do poetico castello de Miramar!


VIII

A installação do imperio devia fazer prever a sua existencia ephemera e o seu fim desastroso.

O Mexico não poderia ser regenerado por um só homem, por maiores que fossem a energia e a dedicação d'esse homem. Paiz devastado pelas guerras civis, estava atrophiado, desorganisado, inculto. Não havia escólas, estradas, agricultura. Maximiliano teve

  1. «Entre os pittorescos arrabaldes da cidade destaca-se pela sua melancolica belleza o sitio de Chapultepec. Na cumiada de uma collina de pequena elevação, a cinco ou seis kilometros distante da cidade, levantava-se n'outros tempos uma especie de castello. Era o lugar de recreio dos reis astecas, e do alto dos muros avistavam a sua grande cidade, e todo o valle em que ella assenta. Em torno d'este castello, pelas vertentes da collina, e n'uma grande extensão da planura, quasi occultava esta pittoresca vivenda uma floresta mui densa de elevados e corpulentos cedros (cupressus distica), que já n'essa época representavam muitos seculos. O antigo castello desappareceu, e em seu lugar se levantou com grande dispendio em 1785 um novo palacio, que tem servido de residencia de verão aos vice-reis e presidentes, de escóla militar e de observatorio astronomico.» Estas impressões de viagem foram colhidas por um portuguez, o snr. visconde de S. Januario, na sua missão diplomatica ás republicas da America do Sul (1878-1879).