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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


No terceiro volume do Romanceiro encorporou Garrett dois romances extrahidos da Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro: A Ama, Avalor; e o soláo Cuidado e Desejo, que se encontra entre as eclogas do poeta, appensas á edição da Menina e Moça, feita em 1852 pela empreza da Bibliotheca portugueza (Lisboa).

Todas estas tres composições são precedidas de pequenos prefacios elucidativos.

Fica pois bem accentuada a grande influencia que a tradição poetica dos amores de Bernardim Ribeiro exerceu no espirito delicado e na imaginação romantica de Garrett. O caso, em verdade, não era para menos. Cintra, a formosissima Cintra, como tablado; como actores, uma princeza e um trovador. E depois ainda a corrente tradicional dos costumes trovadorescos: «não estava tão longe o tempo em que princezas e rainhas ouviam sem enfado e acceitavam sem desaire as homenagens dos trovadores.»

Alexandre Herculano, no 3.º volume do Panorama, escreveu um artigo a respeito dos amores de Bernardim Ribeiro com a infanta D. Beatriz. Acha escuro este problema historico, mas acceita a lenda. Lamenta que Garcia de Rezende, que tão curiosas informações nos legou sobre a partida da infanta para Saboya, se abstivesse, talvez por considerações palacianas, de tocar o assumpto. Cita Damião de Goes para mostrar que o casamento fôra mal recebido dos portuguezes, que não reconheciam no duque de Saboya qualidades nem de nascimento nem de posição