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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


Não me engeiteis por casado,
Que se a outra dei a mão,
Dei a vós o coração

que não se acceita sem certa repugnancia a explicação de que elle se referia apenas ao galanteio que tivera com D. Maria Coresma, solteira ou casada, mas a quem, em todo caso, não havia dado a mão de esposo.

Este ponto julgamol-o ainda escurentado de grandes duvidas.

Mas, como quer que seja, o snr. Theophilo Braga, occupando-se dos segundos amores do poeta com a Aonia da Menina e Moça, suppõe que Aonia é o anagramma de Joanna, e que esta dama é D. Joanna de Vilhena, prima d'el-rei D. Manuel, e filha de D. Alvaro de Portugal, a qual viera para a côrte no tempo do casamento da princeza D. Izabel (Beliza) com o principe D. Affonso em 1491.

D. Joanna de Vilhena casou em 2 de fevereiro de 1516 com D. Francisco de Portugal, primeiro conde de Vimioso, um dos poetas do Cancioneiro de Garcia de Rezende.

Este casamento é a catastrophe que ensombra a vida do poeta. Na Menina e Moça, Bimnarder, anagramma de Bernardim, sabendo do casamento de Aonia «se foi, e não no viram mais.»

Francisco Antonio Varnhagem, que morreu visconde de Porto Seguro, publicou um livro, que precedeu o do snr. Theophilo Braga, pois que este escriptor a elle se refere desfavoravelmente (pag. 107), e que