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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


«Emquanto viveu o conde, escreve o padre Francisco da Fonseca na Evora Gloriosa, o imitou, e acompanhou em todas as obras virtuosas, attendendo cuidadosamente á educação de seus filhos, e ao prudente governo da sua familia, e casa, que debaixo da sua direcção era convento com apparencias de palacio. Era inimicissima do ocio, e por isso assim ella, como todas as suas criadas, se occupavam continuamente nos exercicios proprios do seu estado, umas cosiam, outras fiavam, outras faziam rendas ou fios para curar os necessitados. O mesmo usava com as senhoras, que a vinham visitar, dando a cada uma d'ellas algum trabalhinho, com que se entreter; e entretanto, ou lhe lia algum capitulo dos documentos, que o conde tinha composto, e lhe contava algum exemplo, ou historia santa, com que adoçar o trabalho; o que fazia com tanta graça, que assim sua irmã D. Brites, duqueza de Coimbra e Aveiro, com todas as mais senhoras continuavam e frequentavam com gosto a escóla de D. Joanna. Morto o conde, se deu totalmente a Deus, e, abraçando a terceira ordem de Santo Agostinho, fez uma vida verdadeiramente de santa. Remendava por suas proprias mãos os habitos dos frades, e lhes fazia o comer, quando estavam enfermos, amando-os e consolando-os a todos, como se fossem seus filhos: o mesmo praticava com as religiosas de Santa Catharina, e porque viu as lagrimas e suspiros da pobreza eborense por causa da falta que lhe fazia a morte de seu querido esposo, tomou muito a sua conta enxugar-lhe as lagri-