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Página:Integridade da informação, pilar da democracia.pdf/33

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A desinformação que se configura a partir de todas essas categorias pode ser potencializada pela inteligência artificial, com o uso de aplicativos cada vez mais sofisticados e acessíveis que permitem a manipulação de textos, imagens, áudios e vídeos. A proliferação de ferramentas sem o devido letramento e reflexão de seus usuários amplia a poluição informacional e torna ainda mais desafiador o acesso a dados confiáveis que norteiem decisões bem informadas.

A morte do “ver para crer”

Ferramentas que permitem a geração de conteúdos sintéticos cada vez mais aprimorados impõem novos desafios ao nosso senso crítico. O uso pouco ético ou malicioso das inteligências artificiais pode inundar a internet com imagens, vídeos e áudios falsos capazes de manchar reputações e manipular opiniões. “Isso pode aumentar a desinformação exponencialmente; não só pelos erros em circulação, mas também porque esses erros podem acabar voltando para as bases de dados que utilizam conteúdos disponíveis na internet para treinar IAs, em um efeito ‘bola de neve’”, alerta o EducaMídia em uma série de recursos pedagógicos voltados para o entendimento da IA no ecossistema informacional. 26 Entre os problemas derivados do mau uso da IA, a fabricação de realidades é particularmente preocupante. Isso envolve as chamadas “deep fakes ”, que são manipulações digitais de vídeos e áudios, numa técnica que permite simular vozes, trocar rostos e criar cenários e situações que nunca aconteceram. É a morte do “ver para crer”, em que aquilo que está diante dos nossos olhos deixa de ser evidência inquestionável do que realmente aconteceu. Com a intenção de analisar quão preocupante pode ser a utilização de “deep fakes ”, a jornalista de tecnologia Laurie Segall submeteu-se a um experimento27 com ferramentas de IA que geraram uma realidade paralela: em diversas mídias e plataformas, imagens e vídeos “mostravam” que ela estava em um relacionamento (falso) com o fundador da Meta, Mark Zuckerberg. Fora dos ambientes controlados de um experimento, são inúmeros os exemplos de mau uso das IAs — que afetam celebridades mundiais e pessoas anônimas. Além de ampliar o espectro da desinformação para toda a sociedade, há repercussões individuais graves (econômicas e emocionais) para quem é alvo de conteúdos fabricados. A artista Taylor Swift teve imagens falsas e de cunho pornográfico geradas por IA espalhadas pelas redes sociais, em especial na plataforma X

26. OCHS, M. Integridade da informação e inteligência artificial. Minicurso: educação midiática e inteligência artificial, Módulo 3. EducaMídia, 2024. Disponível em: https://educamidia.org.br/educacaomidiatica-e-inteligencia-artificial.

27. SEGALL, L. My deepfake relationship with Mark Zuckerberg and why it matters. X, 8 mar. 2024. Disponível em: https://x.com/LaurieSegall/status/1766278068002299975.

Integridade da informação, pilar da democracia • Muito além das fake news

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