CONTRA DESINFORMAÇÃO, CONFIANÇA NO COLETIVO Marília Rocha
Um relatório do Fórum Econômico Mundial publicado no início de 2024 considerou a desinformação o maior risco global de curto prazo, à frente de guerras, eventos climáticos, polarização social e adversidades econômicas. A ideia chegou a ser contestada por pessoas que questionam a possibilidade de definir objetivamente o que constitui desinformação, mas tem mobilizado esforços coletivos de organizações governamentais, da sociedade civil e da academia. Um editorial na revista Nature chamado "A desinformação é um risco maior à democracia do que você pensa", alega que pesquisadores que combatem falsidades estão sob ataque, da mesma forma que cientistas do clima e da saúde pública.
Um estudo com participação de 8 mil pessoas de 16 países, feito em parceria entre a Unesco (agência da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e a Ipsos, mostrou que 85% das pessoas entrevistadas estão preocupadas com os impactos da desinformação, sendo que 68% disseram que as redes sociais são o local onde a desinformação é mais difundida. Em todas as faixas etárias e níveis socioeconômicos, 90% acreditam que questões de desinformação e discurso de ódio devem ser abordadas pelas plataformas, e 88% acham que devem ser abordadas pelos governos e entidades reguladoras.
Segundo a Unesco, a desinformação ocorre quando há intenção deliberada de espalhar mentiras (diferentemente de "misinformation", ou informação errônea, quando a informação incorreta é compartilhada sem intenção de enganar). É preciso combatê-las por meio da chamada alfabetização midiática e informacional e iniciativas convergentes.
"O ponto comum entre essas agendas é o fluxo informacional: a informação precisa ser compartilhada, disseminada e comunicada. Hoje, isso acontece principalmente pela internet, plataformas digitais e redes sociais", afirmou Tawfic Jelassi, diretor-geral adjunto de Comunicação e Informação da Unesco em entrevista ao site G20 Brasil. "A informação factual, checada e objetiva é fundamental para promover o diálogo intercultural e o entendimento mútuo entre povos e nações, sendo, portanto, um elemento central para promover a paz."
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