dos outros. No fim da licção cantavam na egreja a ladainha, e a tarde a Salve Rainha com outras pias orações. Os paes se emendavam com isto dos seus grandes vicios, taes como mulheres e vinho».
«A nenhuns tinham mais contrarios estes vicios do que seus proprios filhos ; porque estes, com zelo já christão, vigiavam os paes e os accuzavam aos padres e ajudavam a quebrar as talhas de vinho em suas bebedices». Vide Appontamentos Hist. dos Jesuitas Vol. I p. 112-113.
Ouvidos os depoimentos dos jesuitas, escutemos ao Conselheiro Mendes Leal:
«A apregoada liberdade dos indios nos aldeiamentos dos jesuitas pareceria irrizão a homens cujo espirito sinceramente se houvesse illuminado. Por isso não convinha á tradiccional precaução, dos padres esclarescer os conversos. Que a mais zelosa cathechese exercida sobre homens tomados no estado selvagem não conseguisse delles senão amansal-os, podia ter explicação e desculpa. Mas que os filhos e netos e descendentes dos primeiros neophitos, nascidos, criados, e educados sob a tutela dos padres e com elles os proprios mesticos, que muita vez participavam de sangue europeu, conservassem tão boçaes e nunca passassem d՚aquella meia barbarie essencialmente favoravel á sujeição passiva, singularidade é que bem demonstra um plano e premeditação.
«Esta é, porém, com effeito, uma das mais graves provas contra o preconizado systema. Das artes mechanicas ensinavam os padres aos indios, aos seus indios, como elles, com muita propriedade lhes chamavam, tudo o que aos estabelecimentos da Companhia era necessario, e não só das artes mechanicas, senão tambem de mais altos misteres. Conseguiram assim fazer delles tecelões, pedreiros, canteiros, marcineiros, carpinteiros, oleiros, alfaiates e até esculptores e pintores. Não faltava, portanto, a estes cathecumenos intelligencia susceptivel de todos os desenvolvimentos. Por que seria, pois, que em tudo o que noutras espheras lhes podia allumiar a razão os deixavam como em perpetua infancia ?
« Ainda mais: PORQUE LHES NÃO GENERALIZAVAM A LINGUA PORTUGUEZA ou hespanhola, segundo o paiz a que nominalmente pertenciam, antes preferiam apprender os dialectos barbaros, não já para as primeiras conversões, o que seria in-