Página:Laura de Anfriso.djvu/30

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Ecloga primeira.

Aljofar derramando ſobre o Tejo
Eu tanto que a luz vejo,
A choça paſtoril deſemparaua
E em doces deſuarios
Laura,Laura,entalhaua
Com a fouce nos alemos ſombrios;
Crecei,crecei,dizia,ô ramas bellas:
Leuai o bello nome atê as eſtrellas.

Quantas vezes das eruas eſquecida
Entre os cordeiros a ouelhina muda
Pondo os olhos em mi ficou balando!
Porque me ouuio tocar a frauta ruda,
Ia não leda,mas triſte,& enrouquecida,
E ſem concerto os ares acroando.
Oh gado doce & brando!
Buſcay de oje em diante outro paſtor:
Que eu deixando eſtes montes,
Por fartar minha dor
Vou buſcar outros climas,& orizontes,
Adonde a morte bemauenturada
Acabe a vida miſera & cançada.

Quantas vezes dos vendos a braueſa?
Soſpirando amanſei com o doce canto?
E as furioſas ondas empolladas?
As dores deſiguaes puderão tanto

Que