Horas depois, annunciada a audiência primeira, chegou o primeiro peticionário, Páulo.
Trazia escrituras e pergaminhos em barda, a attestarem seu direito. Servira honrada e largamente o país, sem uma nódoa e sem desprimôr. Fôra atropelado a cada passo pêlos mimosos da fortuna e pêlos concussionários do podêr. Trazia as sandálias corroídas pela aspereza dos caminhos. Acercou-se do príncipe, e disse-lhe apenas: —Justiça !—
Emilio-o-Justo abraçou-o commovido, e, entre lágrimas:
—A justiça não se pede,—disse;—justiça é devêr, e eu vou pagar o que o país te deve.—
E, destapando o pequenino cofre de oiro, acrescentou:
—Cheira, amigo.
Páulo curvou-se, e foi annunciar aos filhos que no outro dia teriam pão.
Mas, ao lavrar da sentença, Francisco Acólito, biógrafo do príncipe, obtemperou:
—Se fizerdes Páulo escrivão das sisas, agravado será o pretendente Bernardo.