o seu namorado, num momento de despeito, a ferira com uma tesoira na côxa esquerda.
Vimos o ferimento: é um golpe de 2 centímetros de comprimento e 1 de profundidade. Compungia-nos o contraste do sangue com a alvura da pelle, que é de uma maciêza veludínea. A côxa direita estava perfeitamente incólume. O sangue havia espirrado para a tímbria da camisa, maculando-a. As meias, que eram de finissimo algodão, não offereciam nada de notável. Fomos vêr depois o instrumento do crime: é uma tesoira pequena e barata, tendo ainda numa das fôlhas uma nodoazinha de sangue. Pedimos tôdo o rigôr da lei para o criminoso, e sentimos o desgôsto da pobre Simeôa, que é realmente de uma condescêndencia amabilîssima, e de uma formosura tentadora.»——
A Opinião fornecia aos seus 365:000 leitôres, de todos os sexos e de todas as idades, minuciosas informações sôbre os factos ainda os mais insignificantes. Parece que a vida particular deixára de existir, porque entrava no domínio público tudo o que hôje consideramos íntimo, e defêso á curiosidade pública. No fac-símile da primeira pagina lê-se, por exemplo:
—« Quando hontem subíamos ao 5.° andar do prédio n,° 229 da rua do Conselheiro Aoaoci ,áonde íamos levar as nossas consolações a uma pobre menina que chegou da provincia e ainda não tem collocação, percebe