Página:Luciola.djvu/143

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Havia mais de quinze dias que já não ia a casa de Lúcia; tinha-a encontrado três ou quatro vezes na rua, e não lhe falara: fingia não vê-la.

A princípio custou-me não ceder àquele doce hábito; mas convencido como estava de que essa mulher zombava de mim, e queria ver-me representar o ridículo papel de amante titular, ou honorário, satélite de um astro que brilha para outros! paciente caudatário que as cortesãs gostam de trazer por orgulho e vaidade, revesti-me de coragem, e quebrei de uma vez com essas relações. O tempo e remédio soberano; os dias correram; a pouco e pouco fui-me resignando à. separa ao.

Tinha aproveitado a minha liberdade para me preparar à vida séria. Mudara-me do hotel, e tomara um primeiro andar na Rua da Assembléia. As passadas necessárias para fazê-lo mobiliar e arranjar. as compras de arranjos domésticos tinharn feito uma poderosa diversão que muito concorreu para fortalecer-me na resolução que havia tomado

Contudo a lembrança de Lúcia não se apagava: eu vivia ainda das recordações da felicidade que ela me dera; e quando saía afagava sempre a esperança de encontrá-la. Se isto sucedia, apesar de minha aparente indiferença, sentia uma emoção que achava ridícula e não podia dominar. A conversa do Rochinha, ou do Cunha, me era agradável, porque dava ocasião de saber notícias dela. Uma vez me disseram que Lúcia saía freqüentemente, e passava todos os dias pela Rua do Ouvidor; a idéia de que ela o fazia para ter ocasiões de me ver consolou-me.