Página:Luciola.djvu/39

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mandou parar um tílburi que passava; o carro a tinha acompanhado; chegou-se à portinhola e disse-me: <<Não gosto de gente que se esconde, meu senhor. Vá olhar para o mar, ao lado de sua mulher; é mais inocente e mais poético. De amanhã em diante não nos conhecemos>>. Debalde quis impedi-la, meteu-se no tílburi; e o cocheiro, que tinha um excelente animal, logrou-me: foi-me impossível segui-los. Voltei nessa mesma noite e nos dias seguintes à sua casa, e achei sempre a porta fechada para mim; até que me recebeu para dizer-me com toda a macieza e doçura, que eu supunha ter comprado a chave de sua casa, e por isso ia-me restituir o preço de uma venda que ficara sem efeito. Saí para não voltar mais!

— Arrufos! Se não a procurasse, ela o mandaria chamar no outro dia. É sempre a sombra do provérbio chinês: segue quem a foge.

— São águas passadas. Estávamos falando da simplicidade de seu trajar. A razão é outra; é pura avareza.

— Como! Não disse que ela não se deixava levar pelo interesse? Não compreendo. Uma mulher que rejeita ofertas brilhantes e leva o seu escrúpulo a nunca pedir, nem mesmo uma coisa insignificante... Essa mulher não pode ser avarenta! O senhor conserva algum ressentimento, disse eu sorrindo.

— Ora! replicou ele encolhendo os ombros. Não faltam bonitas mulheres. Mas esse desinteresse de Lúcia é um cálculo, e um cálculo muito fino. Uma mulher que pede, marca o preço de sua gratidão ou do seu amor; a mulher que não pede é um abismo que nunca se enche! Tenho experiência destas coisas.