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Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/100

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Para lêr nas férias

Ermenigildo sorriu contrafeito.

Foram almoçar e êle procurou mostrar-se jovial e animado. Mas o pai, apesar de ser um rude camponês, era esperto e não se deixou enganar pelas aparências. Terminada a refeição, voltou-se para o filho e disse-lhe:

― ¿Queres que eu te diga o que tens?

Ermenigildo olhou para o pai interrogativamente.

O velho continuou:

― Estás mal contigo pelo modo por que trataste ontem o Adelino. Se queres que seja franco, tambêm te direi que a tua conduta me pareceu mal.

Ermenigildo baixou a cabeça corando e o pai continuou:

― Ora se eu estivesse no teu caso, ia-me a casa dêle, dava-lhe um bom abraço, e pedia-lhe desculpa.

― Isso custa-me, volveu indeciso o Ermenigildo:é reconhecer que andei mal.

― E então? Não te acusa disso a consciência?

― Pois sim, mas... Pensarei no meio de remediar o caso.

― Faze o que quizeres; mas o Adelino é um homem digno ás direitas. Deve estar profundamente maguado com a maneira por que o recebeste...

Entrando no quarto que o pai lhe destinara, Ermenigildo meteu, por um movimento naturalmente inconsciente, a mão ao bôlso, e, tirando uma pequena chave, foi abrir a mala. Tirou dela um cofre que continha dinheiro em oiro e começou a contar libras.