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Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/102

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Para lêr nas férias

tumava guardar os porcos, mandou-o levar aquilo a casa do Vêrde, pedindo-lhe um sinal em como ficara entregue.

Volvidos dez minutos, o rapazito voltou trazendo a caixa e um bilhete que dizia assim:

«Ermenigildo; as tuas cem libras não podem ter entrada em minha casa. Nem mas devias mandar porque não deve ter bolsa lembrada quem tem um coração esquecido. Não ha de faltar quem te peça dinheiro: reparte-as pois por os mais pobres e mais necessitados da terra. A mim chega-me o meu trabalho para viver e consolam-me dos desgostos as amizades sinceras que ainda possuo. Desejo que sejas feliz.

Adelino Vêrde.

Espantado, o Ermenigildo voltava o papel entre as mãos sem saber que decisão tomar. Por fim foi ter com o pai que, sentado no escano ― era de inverno ― se aquecia á lareira. Contou-lhe o que fizera e a resposta do Adelino, terminando por dizer:

― E' um orgulhoso. Não quero saber mais dêle.

O velho tornou-lhe:

Em todo o caso, bem menos do que tu. Julgas que o dinheiro serve para tudo e de tudo, e êle prova-te que ha alguma cousa superior ao dinheiro: a dignidade dum homem de bem, que se não paga com uma mão cheia de oiro nem com toda a tua fortuna.