Ir para o conteúdo

Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/104

Wikisource, a biblioteca livre
100
Para lêr nas férias

Em casa do Vêrde todos estavam inquietos. Era a hora do jantar e Adelino não aparecia. A mulher, seguida da irmã, corria volta e meia á janela e voltava para dentro pesarosa de o não vêr chegar, dizendo a Gertrudes:

― Eu não sei o que me diz o coração! O meu homem anda triste, acabrunhado: traz no pensamento qualquer cousa que o anda a moer e não desabafa. ¿Onde terá êle ido que são estas horas e não aparece?

A outra tentava socega-la, mas no fundo estava tambêm muito inquieta. Estimava o cunhado e sabia como êle era pontual. Nunca, durante os dôze anos últimos, acontecera semelhante cousa.

O Adelino Vêrde regressava do campo para jantar, quando encontrou o Ermenigildo que ia a sua casa. Vendo que êle se lhe dirigia a pedir desculpa, todo o seu ressentimento cafu por terra. Apertou-o nos braços e esqueceu a ofensa recebida.

A' tarde, quando o jantar os reuniu em casa do Ermenigildo, a alegria era franca. Fizeram-se saúdes e o presidente da Câmara e o administrador do concelho apertaram a mão ao Adelino, quando Ermenigildo, sem confessar a sua fraqueza, contou que êle recusara as cem libras, que lhe tinha oferecido, em favôr dos mais pobres da aldeia.

Antes de se retirar, Adelino teve uma longa conversa com o seu rico amigo e entraram em combinações que, sendo de grande vantagem mútua, não umi-