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Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/118

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Para lêr nas férias

― E' o lagarto que a madrinha conserva em álcool?

― E'. Gosto dêle pelo favor que sem intenção me causou, mas detesto todos os outros. Sempre é um animal que se póde comparar ás ervas daninhas.

― ¿Porquê?

― A erva daninha, por mais que se corta, cresce. Se tu cortares a cauda ao lagarto torna a crescer; depois, teem a forma semelhante aos lagartos os camaleões que mudam de côr conforme o tempo e as impressões que recebem.

Belmira sorriu e respondeu:

― Parece-me injustiça tornar o lagarto culpado de culpas que não tem, por uma simples semelhança de fórma.

― Não é tal, por esse modo de julgar... eu seria... Espera... Pára um pouco... Parece que não estou bem.

E antes que Belmira tivesse tempo de lhe fazer a menor observação, caiu-lhe desmaiada nos braços.

Aos gritos da rapariga acudiram o cocheiro e o trintanário. Meteram a baronesa na carruagem, para a qual a levaram com dificuldade devido à sua grande corpolência, e apoiaram-na a Belmira.

O cocheiro subiu apressado para a almofada e fustigou os cavalos.

Quando chegaram ao solar, a baronesa tinha deixado de existir.

Belmira chorava como se tivesse perdido uma extremosa mãe.