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Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/65

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Para lêr nas férias
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das lições, resolveu chama-lo e perguntar-lhe como é que, dum momento para o outro, dum cábula se fizera um bom estudante.

Adalberto contou-lhe que sua mãe, vendo que êle não tinha memória, lhe ensinára a fazer mnemómicas e que por esse processo conseguira fixar as lições.

― Parece um disparate, mas não é, sr. Sá, dizia êle ao mestre admirado. Quando outro dia explicou o que era peninsula, eu, para me não esquecer, disse comigo: península é quasi uma ilha e, se não é ilha, é porque lhe falta o quasi; e, como nessa tarde tinha estado na praia, lembrei-me de que as pranchas, que se metem á água para os banhistas saltarem, estão rodeadas de água por todos os lados, menos por um: é o quasi. Desde então, nunca mais esqueci que a peninsula está rodeada de água por todos os lados menos por um, que é por onde se liga ao continente.

― Está bem, disse sorrindo o professor. Desejo que esse modo de estudar te continue a dar resultado. Vai-te sentar.

No fim dos oito dias o pai de Adalberto cumpria a promessa de o levar ao Coliseu, onde êle, radiante de júbilo, viu o prestidigitador fazer mil cousas maravilhosas.

Desde então, Adalberto supria pela habilidade a falta de memória e nunca mais ninguêm notou que êle não sabia. Orgulhoso do seu esforço, ocultava-o e tinha mais merecimento do que qualquer outro em saber a lição, pelos grandes esforços que fazia para a