Ir para o conteúdo

Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/91

Wikisource, a biblioteca livre
Para lêr nas férias
87

E Carlitos batia alegremente as mãos, contente por julgar que embaraçava o seu irmão.

Aníbal sorriu e volveu-lhe:

― Isto é uma lenda. O corpo da mulher do felá dorme, ha muito, fechado no seu túmulo. Dizem até que era uma das mais formosas múmias do seu tempo. Mas o seu espirito continua a perseguir a mentira, e a prova tu mesmo acabas de a dar não acreditando na história.

E, rindo, beijou o irmão e dirigiu-se para a porta.

― Anibal! Aníbal! gritou Carlitos. ¿O que é uma múmia?

Aníbal parou e respondeu-lhe:

― É um corpo tornado incorruptível por injecções de várias essências. Depois de sêco é apertado em ligaduras que lhe dão uma aparência curiosa, como podes vêr num dêsses bonecos que ai tens. Na tampa dos caixões que as encerravam era costume pintar um rosto semelhante ao da pessôa morta.

Aníbal saíu e Carlitos ficou pasmado diante da estampa colorida que representava as múmias.

Ferido subitamente duma idea, foi ao quarto dos bonecos e, sentando-se no chão, rasgou o seu lenço em tiras; depois, pegou numa boneca, que a mãe lhe dera vestida de rapaz, e procurou transforma-la em múmia. Com as tintas de aguarela tentou imitar as várias pinturas da estampa e, sem querer, sujou de tinta o livro do irmão, quando estudava um dos hieroglifos que lhe era mais dificil imitar. Muito triste pelo