desastre, não sabia se o devia esconder se confessar.
Quando o jantar reuniu a familia toda á mesa, a mãe de Carlitos estranhou-lhe o silêncio.
― ¿Estás doente, meu filho?
― Não, minha mãe, estou a pensar numa cousa.
― Em quê?
― Se o espírito da mulher do felá terá contado alguma cousa ao Anibal.
― ¿Então parece-te que êle tem alguma cousa a contar-me?
Os pais olhavam-se sem perceber.
Carlitos disse:
― Fiz uma múmia.
Anibal riu e contou a seus pais a conversa que tinham tido de manhã.
Quando se ergueram da mesa, Carlitos correu a buscar a múmia, que estava realmente bem imitada.
Pegando nela, Aníbal examinou as mãos do Carlitos e viu que, junto das unhas, estavam sujas de tinta. Então, ferido dum pressentimento desagrádavel exclamou:
― ¿Tu sujaste-me o livro de tinta?
Involuntàriamente Carlitos respondeu:
― Não, não sujei.
― ¿Para que mentes? perguntou-lhe Anibal, sem se zangar. Vai busca-lo. Quero vêr o estado em que mo puseste.
Carlitos foi buscar o livro e entregou-o ao irmão sem se atrever a olhar para êle.