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Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/95

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DIGNIDADE DUM POBRE

O tio Adelino Verde andava profundamente pensativo. Não comia, quasi não falava, e a custo mesmo se decidia a trabalhar. Em vão a mulher e a cunhada lhe faziam perguntas; não obtinham senão esta resposta:

― Não é da vossa conta. Deixem-me em paz.

Fôra o caso que um seu antigo companheiro de escola, mandado para o Brasil pelo pai quando tinha quinze anos, voltara riquíssimo, comprara propriedades, e, considerado por todos na terra como um grande senhor, já se dizia que ia ser feito visconde; quando êle fôra ao seu encontro de braços abertos para o estreitar nêles com verdadeira alegria de coração, tinha sido recebido friamente. O brasileiro não lhe oferecêra uma cadeira para se sentar e, sem o tratar por tu, como de antes, fingira não se recordar do seu nome senão a custo, e mostrara-lhe claramente que não tinha desejos de reatar relações.