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Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/96

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Para lêr nas férias

Ferido e umilhado vivamente no seu real afecto e sinceridade do coração, o tio Adelino Vêrde retirou-se com as lágrimas nos olhos e resmungando por entre dentes:

― ¡Que mundo êste! Fui talvez eu o único amigo que o não esqueci, o que mais sentiu a sua partida, e o único de que êle se não lembra... de que finge que se não lembra, porque se envergonha da minha ignorância e pobreza! Em casa a mulher perguntou- lhe com curiosidade:

― ¿Então como te recebeu o Ermenigildo?

― Bem, muito bem...

― ¡Mas não te demoraste lá!

― ¿Que queres, mulher? não me sentia á vontade. Está lá a cumprimenta-lo toda a fidalgaria cá da terra...

― Pudera não!... Ele vem podre de rico, comentou a cunhada.

Pretestando ter que fazer, o tio Adelino Verde afastou-se para pôr termo ás perguntas da mulher e da cunhada. Não lhe pesara nunca viver pobre, vergado de sol a sol sob o pêso da enxada. A sua vida fôra até então alegremente risonha. Mas, neste momento, o desdêm do melhor amigo da sua infância tornava-o inconsolavel.

― ¡Que me importa a mim com o seu dinheiro! Eu nem pensava que êle o tinha! Guarde-o e não seja soberbo... Fale á gente.

Por sua parte, Ermenigildo, quando as notabili-