fazer? O melhor era ser coerente com o procedimento que espontaneamente tivera. Demais, o Adelino não poderia estender a mão ás pessoas das suas actuais relações. Ninguêm lha apertaria.
― Contudo, pensava êle, talvez se não encontrasse em toda a aldeia um caracter mais digno.
Pouco contente consigo, resolveu fazer o possivel para esquecer tão desagradável incidente. Mas acontece, geralmente, quando alguêm se porta mal, que a sua consciência o censura e, quanto mais deseja esquecer, mais se lembra e sente pena e remorsos do acto que praticou. Depois, tudo parece estar combinado para avivar na memória o que o incomoda!
A' noite, ao deitar-se, viu diante dos olhos o último serão que passara na terra antes de ir para o Brasil. O Adelino fizera-lhe companhia, e no dia seguinte, ao ir com êle até á diligência que o havia de conduzir á estação, o pobre rapaz chorava ao estreita-lo nos braços, como se fosse dum irmão que se separasse. A pena da maneira por que o tratara aumentou. Ele não era mau, mas parecia-o. Estava vivamente arrependido, mas, por um resto de amor próprio, não se atrevia a demonstra-lo. No dia seguinte tinha um mau aspecto. O pai perguntou-lhe:
― ¿Estranhaste a cama?
― Creio que sim. Passei quasi toda a noite sem dormir.
― Pois olha que te dei o melhor leito que ha em casa.