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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/106

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muita inquietação; é porque no fim estava um rio e elle não podia tomar á direita, nem á esquerda. Chegando á borda do rio o manhoso animal atirou á agua a creança e trepou para uma arvore, tendo por certo que o negro o deixaria para acudir ao menino e assim foi. José se atirou ao rio, ainda que estivesse alagado em suor, e salvou o filho da sua bemfeitora.

Com o susto e com o banho estiveram ambos muito doentes; particularmente José, que esteve á morte. Quando Henriqueta viu o negro são, lhe disse, que já que outro bem lhe não podia dar em remuneração dos seus serviços, lhe dava a liberdade. Em vez da alegria que todo o escravo sente ao ver-se liberto, José mostrou no rosto intensa dor.

— Que tens, José? lhe perguntou ella admirada. Não entendeste o que te disse? E's agora senhor das tuas acções. Recommendo-te, que enfreies sempre a tua colera. Os homens livres precisam tambem subju- gar suas paixões.

José se lançou de joelhos, bradando:

— O negro querer ser escravo de minha