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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/107

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senhora... Não querer nunca deixar minha senhora!...

— Meu bom José, tens-me então muita affeição?

— Sim... sim... minha senhora.

Pois estarás commigo emquanto quizeres; mas és livre.

José beijou os pés de sua senhora, agradecendo-lhe, não a liberdade, mas o deixal-o viver com ella como escravo.

Quando elle saiu, bradou Henriqueta com as lagrimas a correr pelas faces:

— E os brancos desprezam os negros!.. Ai de mim!.. só o coração d'este grato negro me resta!.. Ninguem mais me ama!

— E eu, mãe?.. e eu, disse Eduardo, que assentado n'um cantinho do sofá tinha estado calado e attento.

A mãe tomou-o nos braços e o cobriu de beijos. A discrição prematura d'esta creança era cousa pasmosa. Conversava com sua mãe com muito juizo, e raras vezes brincava. Era triste. A melancolia da mãe e o desamor do pae o tinham tornado assim.

— Mãe, disse elle, o senhor Rodrigo disse-me que os negros são assim, para se