— Meu amigo, isso não póde ter lugar. Hei de viver muito pobremente; não poderei ter-te commigo. O meu trabalho chegará mal para não deixar morrer meu filho á mingua... Talvez serei forçada a esmolar um pedaço de pão.
Henriqueta cobriu os olhos com as mãos para occultar as lagrimas. O negro replicou com intimativa e força:
— O negro ha de trabalhar. A'minha senhora e ao menino não ha de faltar pão.
— Excellente coração!.. exclamou a infeliz, abraçando o negro; que não tenha eu a abundancia em que nasci, para ter-te sempre commigo socegado e feliz!..
José confuso e interdicto se lançou de joelhos em se livrando de seus braços; e curvando-se, beijou-lhe os pés, humedecendo-lh'os com lagrimas.
— Alma generosa, proseguia ella, inclinando-se para elle e pondo-lhe a mão na cabeça, levanta-te e attende-me. Não devo acceitar o teu sacrificio, mas levarei no coração a lembrança da tua dedicação. Meu bom José, em Portugal não terias em que