Este mocinho, alto, magro e pallido, tinha rosto interessante e meigo, mas dava mostras de pouca saude. A sua natureza era debil, sua alma delicada. O traje de Eduardo era muito simples, mas de uma extrema nitidez e asseio.
Henriqueta vestia roupas escuras e grosseiras e talhadas com extremo desalinho. Se algum gosto lhe restava pelo trajar casquilho, ella o empregava em seu filho.
Beijou Eduardo com muita ternura as mãos de sua mãe. Esta lhe sorria melancolica. Elle se assentou em um banquinho a seus pés, e lhe disse, estorvando-a de trabalhar:
― Nunca ha de ter descanso?... Nunca ha de divertir-se com algum passatempo?... Trabalha sem cessar, e isso lhe faz mal.
― Não, meu filho, respondeu ella, anediando-lhe a cabeça; o trabalho me faz bem, e tenho todos os dias o melhor divertimento que posso ter. Vejo-te, fallo-te, recebo as tuas caricias. Deixa-me agora acabar este vestido, que é d'uma vizinha que tem pressa d'elle.