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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/124

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― Eu sei o contrario. Não queira illudir-me. E oh! meu Deus!... que incalculaveis males nos faz elle soffrer!

― Não pensei que eras ambicioso!... A falta de riqueza te parece um mal tão horrivel!... O amor e o trabalho, a honra e a virtude não serão as unicas riquezas dignas de apreço?...

― Não sou ambicioso, minha rica mãe, não! Quizera ter alguma pequena parte das riquezas de meu pae, para ver gozar minha querida mãe de todas as commodidades da vida, e o bom José de descanso; porém não me lembrava agora isso... Os males a que alludia eram outros.

― Quaes são, Eduardo? Quaes são?

― E' um segredo.

― Um segredo?!.. Tu me assustas!

― Não se assuste, minha rica mãe, tornou elle, fingindo brincar e rir, não é caso para sustos. E' uma experiencia que quero fazer. Vejamos, se sei guardar um segredo.

Henriqueta puxou seu filho para si, e abraçada n'elle disse com terna meiguice:

― Meu Eduardo, has de me dizer esse segredo. Com uma mãe não deve haver