e sei que depois que o deixamos, tem vivido só para mim.
― Infeliz!.. Estás enganado!.. Teu pae não era meu marido.
― Oh, meu Deus!.. Para me salvar a vida, minha mãe, diz tão horrivel falsidade?!.. Não ouvi eu dizer-lhe a José quando chegamos a Lisboa: Vai vender este annel, que é a ultima lembrança do meu tempo de solteira!.. Não se afflija com vãos receios. Deus é justo: elle decidirá, qual de nós combate pela razão, e será punido aquelle, que estiver do máo lado.
― Eduardo! Eduardo! já que Deus assim o quer, para meu espantoso castigo, sabe a horrivel verdade, e não me amaldiçôes!.. (Meu Jesus, acceitai esta minha humilhação!..) Eduardo... Casei em muito moça... vi depois teu pae... namorei-me d'elle... e fugi com elle, abandonando meu marido... meus filhos... e meus paes!..
Henriqueta estava ainda de joelhos, e seu filho a abraçava. De repente sentiu ella, que os braços de Eduardo a largavam, e abafada em pranto, soluçou: