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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/139

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caminhava vagarosa. Cada arvore lhe despertava uma lembrança, cada prado uma recordação.

Estava-se na bella estação da primavera. As aves gorgeavam entre os floridos ramos das arvores, os cegadores nas cearas soltavam galhofeiros gritos no meio da sua tarefa, e n'um prado vicejante cantava uma rapariga com voz monotona e harmoniosa d'amores, em quanto ceifava com mão descuidada a herva, e as muitas florinhas, que esmaltavam o prado.

Tudo respirava alegria e vida, menos a pobre mãe de Eduardo. Ella se detinha a cada momento para respirar e enxugar os olhos; e, quando deu com a vista n'uma linda e risonha casa, que parecia com os raios do sol feita de jaspe, e encastoar janellas d'ouro, estremeceu, parando; com uma das mãos apertou o coração ao tempo que vendava os olhos com a outra.

― Eil-a alli!.., balbuciou com voz abafada pelos soluços. Eil-a alli!... E' a mesma... a mesma em tudo!.. E eu?..

Lagrimas de fogo lhe sulcaram as faces.

D'uma varanda pendiam tapetes, que