Ir para o conteúdo

Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/149

Wikisource, a biblioteca livre
93

podia ir mais longe. Tinha as forças physicas e moraes já esgotadas.

— Dormirei ao menos uma noite ainda, pensava ella, debaixo do tecto de meu pae... perto de meus filhos... Talvez ouça suas vozes.

Suas lagrimas caíam, pesar seu, sobre o solo, para onde lhe pendia a cabeça; seu passo era vacillante.

Dous bellos caçadores passaram por ella quasi correndo, e um dos cães da matilha deu-lhe um encontrão tão forte, que cairia a pobre senhora se o mais alto dos caçadores a não tivesse amparado com um braço, dizendo:

— Perdôe, bôa mulher... Magoou-se?

― Não!.., balbuciou Henriqueta, fitando os olhos no bello rosto do mancebo, com um ardor apaixonado, que elle tomou pelo rogo d'uma esmola. Apalpou os bolsos, e não achando dinheiro, lhe disse:

— Vá por aquella porta (e indicou-lhe a porta principal). Os cães não fazem mal. Precisa de descanso, e talvez de almoço. Quando se fôr embora, mandarei dar-lhe alguma cousa.