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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/165

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sobre ella, e sobre todos, que ama, lançar-me-ia a seus pés e lhe diria: ― Tua mãe não morreu!.. Sou eu!.. Fui criminosa; mas amo-te muito!.. muito!.. Quero morrer nos teus braços! ― Porém não!.. Não juntarei mais erros, aos meus erros passados. Seja ditosa e conserve na memoria as virtudes de sua mãe... E' uma piedosa mentira. Ainda me lembra o que soffreu o pobre Eduardo ao saber.... Mas o seu nome aqui é um sacrilegio!.. e um anathema contra mim.

Depois de ligeira pausa proseguiu com voz surda:

— Vês estas paredes, meu amigo? São as paredes da minha casa. Mas este quarto não é o meu quarto alegre e risonho de solteira, nem os meus aposentos ricos e asseados de casada, é o pobre quarto dos viandantes pobres, e fui acolhida aqui por caridade. Meu pae e meus filhos estão lá em cima, fallando em mim como de uma estranha e indifferente!.. Nunca saberão quem eu sou!.. O unico que o saberá é meu marido... Elle só sabe, que existo, e sou culpada... Os outros julgam-me ha muito morta e veneram a minha memoria. Meu ma-