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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/166

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rido me conhecerá... e recuará de horror ao saber quem sou! Mandar-me-ha expulsar de casa, eu irei morrer n'um palheiro da visinhança... não poderei ir longe. Não importa!.. Tudo mereço. Sabes, que fui matricida e quasi parricida? Minha mãe morreu de dor. E eu não morri d'angustia ao saber os effeitos do meu crime!.. Resisti a tudo!.. Não morri com tantos golpes... Vivo ainda para soffrer o aguilhão do remorso... e toda a força da desesperação!

O bom negro pedia ha muito a sua senhora com as mãos erguidas e muitas lagrimas, que socegasse; mas ella, só quando as forças, se lhe esgotaram, é que cessou de fallar, e caiu sobre o travesseiro. Aquella agitação em que estivera, fez-lhe muito mal, e lançou algumas golfadas de sangue pela bocca. José quiz chamar, mas Henriqueta deteve-o; e com a cabeça encostada ao braço, com que elle a sustinha, lhe disse com affeição e reconhecimento:

— Socega, meu bom José, socega. Não te afflijas assim. Isto está a dar resto. Demos graças a Deus... Não preciso já de remedios... Preciso só de cumprir aquillo a