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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/23

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XVII

nal-as mais irmãs, com esta troca de joia por joia, que a ambas enriquecia. O abbade mesmo, unindo as mãos, recebendo e abençoando os votos de tão gentis creaturas, e tão feitas uma para a outra, houve de pensar, mas que o não dissesse, que havia cousa mais deliciosa que administrar ao proximo tal sacramento: era recebel-o.

Derrubada assim a primeira esperança, logo, talvez n'aquelle mesmo acto, surdiu outra mui natural no espirito do abbade, a quem não soffria a paciencia que a boa da sua egreja houvesse de passar a mãos estranhas, que poderiam deszellar-lh'a. Depois aquelle campanario, as andorinhas d'aquelles beirados, as arvores e as pedras contadas do passal, tinham-se acostumado tanto á boa gente do sangue d'elle, que por força haviam de estranhar se vissem por alli caras novas, e ouvissem outras fallas. Foi pois a sua idéa que o primeiro filho que viesse a lume do consorcio, seria creado para a abbadia; lá que havia de vir, não duvidava elle; tamanha era a fé que na benção tinha posto. Avisinhava-se o tempo de se lhe realisar a prophecia do desejo. A hora suspirada allumia o thalamo da esposa. Exultam as duas mães. Suspira o abbade. O seu projectado successor saiu uma menina. Que remedio já agora senão querer-lhe muito! Deu-lhe no baptismo o melhor nome que soube, o unico de todos os bellos nomes que por mais que se multiplique e envelheça é sempre bello, sympathico e poetico. Maria é a heroina da nossa pequena

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