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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/34

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XXVIII

vertimento, não approvavam que me degenerasse em occupação exclusiva, nem mesmo predominante, pois grande parte do que eu lia eram romances em portuguez. E que romances, meu Deus!.. A censura prévia de minha mãe só m'os prohibia quando eram immoraes; não sei se toadas as senhoras lá pelas cidades fazem igual exame para as leituras de suas filhas. Se o não fazem, bons arrependimentos sem remedio lhes prepara talvez esse descuido. Meu pae muitas vezes me dizia que lesse eu livros mais serios. Algumas vezes os lia para condescender com os seus desejos; se não fosse isso, a historia por si não me attrahia; parecia-me inutil como os romances, porém mais sem sabor. De poesia sim gostava, e tambem de viagens. Succedeu-me com o Zadig de Voltaire, traduzido por Fylinto Elisio; uma cousa notavel. Gostei muito d'elle cem creança, em moça não gostei nada, e annos adepois tornei a lel-o com prazer. De certo o não leio quarta vez. Tres é de sobra, e talvez tornasse a não gostar; mas confesso que preferia as novellas, de que hoje não posso ler duas paginas a fio!... A's vezes me ponho eu a pensar se é felicidade ter o gosto apurado, e inclino-me a que não. Tenho pesar de não achar hoje soffrivel o que então se me figurava encantador. Pois contos de fadas, magicos, anões, gigantes e fantasmas!... Isso era o meu comer. O maravilhoso me enlevava. Houve romancinhos d'aquelles, que me fizeram chorar até ficar doente; viessem