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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/42

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XXXVI

casa com olhos enxutos... Ai de mim!... nunca mais havia de tornar a vel-o entrar aquelles umbraes!... ella não queria desanimal-o. Apenas o perdeu de vista, vi-a chorar com uma desesperação como nunca até alli, nem depois, vi ninguem.

«Ora eu, ora minha mãe, iamos fazer companhia a men pae na sua prisão de Penafiel. Só o espirito sustentava minha mãe de pé; o corpo definhava a olhos vistos. Em quanto meu pae esteve entre grades, não consentira que o fossemos ver; depois que com dinheiro conseguiu ir para os sotãos da cadeia, e depois para a sala das audiencias, permittiu que o visitassemos a miudo, bem que fosse longo e mau o caminho da nossa quinta ao seu carcere.

«Fomos, minha mãe e eu, passar á cadeia o dia de Natal de 32, para animarmos a meu pae, consolando-o com duas reminiscencias vivas do seu caro domicilio. Que festa! que festa da Reedempção! Quando ao outro dia sahi, mal pensava eu que era a ultima vez aquella que via meus paes reunidos. Separamo-nos tristes.

«Soou que meu pae ia ser julgado militarmente. Andavam sempre a mudar de resoluções. O nosso terror foi grande. Minha mãe disse: — Se eu podesse, filha, ia-me fallar com o conde de S. Lourenço (era esse o general mieguelista, que aquartelava pouco distante, e que tinha os papeis e requerimentos de meu pae) mas não posso... Se tu podesses... Sei que em