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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/44

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XXXVIII

municasse; e as suas consolações e as suas ponderações rasoaveis me animavam; mas a magoa que então sentia, os temores que me assoberbavam, não lh'os podia participar, e isto redobrava o meu tormento.

«Poucos dias antes d'ella morrer, vi a primeira rosa da primavera. Corri a buscar-lh'a. Era douda por estas flores. Agradeceu-me com os olhos humidos, e pol-a no travesseiro. N'esse mesmo dia me disse um parente: — Andas enganando tua mãe, fazendo-lhe crêr que ha de resistir ao seu mal. E' preciso que ella saiba o seu estado. Appareci banhada em pranto á cabeceira d'ella. Olhou-me compassiva e me disse: — Porque choras? Disseram-te que eu morria? não te afflijas assim. Todos nós temos de morrer, e eu hei de ir quando Deus me chamar. Manda recado ao cura e ao tabellião; e tu, se eu partir agora, fica servindo de mãe a teus irmãos... Tirou um annelinho que trazia, e metteu-m'o no dedo. O seu fim não podia ser mais terno!... Pediu perdão ao povo que acompanhava o Viatico, e se despediu d'esses que lhe chamavam — A mãe dos pobres, como mãe e amiga... A má nova que lhe eu trouxera de casa do general, déra-lhe a ultima enchadada. Ha 28 annos que a vi e a beijei pela ultima vez, e a sua lembrança me está ainda inundando de lagrimas este papel, como se de hontem fosse a minha orphandade. Minha irmã, que n'este momento se acha ao meu lado, seroando em silencio, e seguindo com os olhos ra-