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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/47

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XLI

versal com o pseudonimo, muito verdadeiro, de Obscura-Portuense. Esse redactor (Deus lhe perdoe) fez-me sair a terreiro com o meu nome, e deu-me ousio para abusar da paciencia do publico, que não é lá das paciencias mais evangelicas.

«Novas tristezas que occorreram, por causa de meu irmão, atormentaram os ultimos annos de meu pae, e lhe abreviaram a vida. Eu e minha irma soffremos muito... Ao menos eramos duas para nos consolarmos mutuamente. Nosso bom pae nos dizia muitas vezes: Eu fui bom filho; mas vós o sois ainda mais. Eu não vos merecia tanto! e merecia tudo. Pobre pae! Todo o anno de 56, até 6 de novembro, esteve meu pae entre a vida e a morte. O antecedente já o passara muito mal. Mais de anno levámos no quarto d'elle, ou eu ou minha irmã, e, muitas vezes, ambas. Que noites e que dias!... mas sobretudo as noutes, em que os ataques de pulmão eram mais fortes!... Meu pae nos dizia nas suas afflicções mil cousas ternas que nos despedaçavam a alma. Lamentava o futuro do filho que tanto o affligira; lamentava que nós ficassemos «sós, sem termos uso de dirigir os negocios da casa de portas a fóra, e muitas vezes boquejava, como que entre si, olhando para nós: — Coitadinhas!... coitadinhas!... Tinha eu por costume descrever quotidianamente algumas palavras de como passara o dia. Deixei-me d'isso quando perdi de todo a esperança de ver meu pae resis-